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Bancada Central#17 – Trinco
publicado por César Santos a quinta-feira, 9 de julho de 2009

No futebol moderno ouve-se, por vezes, os mais variados especialistas a falar de uma posição determinante para o bom funcionamento de uma equipa, quer a nível doméstico como internacionalmente. Número seis para os europeus ou número cinco para os argentinos, quem sabe até o volante para os nossos “amigos” brasileiros, a verdade é que esta é uma realidade cada vez mais real, passe a redundância, onde as equipas e selecções de top precisam, indiscutivelmente, destes majestosos e úteis jogadores. Xabi Alonso, Gago ou Cambiasso são bom exemplos disso mesmo, deste tipo de jogadores cada vez mais refinados e com mais técnica para o desporto-rei. Onde antes a força e o poder destrutivo imperavam, predomina agora a inteligência e a capacidade técnica, porque hoje, o trinco, é muito mais que um mero defensor e um destruidor de jogo adversário, no futebol de hoje desempenha papel importantíssimo na primeira fase das transições, sejam elas ofensivas e defensivas, é nessa fase que se vê a sua real importância e a sua verdadeira capacidade. No momento mais importante do jogo aparecem os mais importantes jogadores, não os maiores artistas, mas sim, os mais inteligentes “pensadores” e os que asseguram o equilíbrio fundamental à equipa. Normalmente têm o chamado “low profile”, ou seja, são os mais discretos no relvado e, ao mesmo tempo, os mais importantes. Paradoxo incrível e de difícil entendimento, mas o melhor futebol está nos mais inteligentes jogadores, naqueles que têm a capacidade de interceptar um ataque adversário estando já a pensar o contra-ataque da sua própria equipa, naqueles que têm a capacidade de serem os melhores recuperadores de bolas da equipa sem, no entanto, serem os mais quilometrados jogadores no final de cada partidal.

Ao longo da história o conceito de médio-defensivo foi sofrendo as devidas metamorfoses, sendo outrora visto como o típico jogador corpulento e de contacto em que a destruição do jogo adversário era a sua única tarefa ao longo dos noventa minutos. Desde o típico 6 anglo-saxónico até ao mais glamoroso trinco latino sem nunca esquecer o talentoso volante brasileiro todos se preocupavam mais com aquilo que a equipa adversária do que, propriamente, com o jogo da sua equipa. Há quem diga que este tipo de médios estão extremamente sobrevalorizados pelos especialistas, mas a realidade dos factos e a frieza dos números eleva esta posição até ao mais alto patamar de importância de um jogador no século 21. Por mais golos que Ronaldo, Kaká ou Messi marquem, ou por mais intercepções que Terry, Ferdinand e Pepe façam, na sua mais importante e delicada fase, o jogo, passa todo por estes jogadores de “cara tapada”, os artistas “sem nome” ou, como lhes costuma chamar uma personagem famosa, os arquitectos da equipa.

Como já o disse são os “low profile” do futebol, os que menos camisolas vendem eos mais discretos intérpretes, sendo até associada, injustamente, por alguns adeptos uma imagem depreciativa e pouco condizente com a sua qualidade e importância no futebol moderno. Fanzendo a ligação entre os defesas e os médios de cariz ofensivo, ou como diria um treinador brasileiro, entre os zagueiros e os armadores, estes rapazes continurão assim: discretos mas eficazes, incompreendidos mas talentosos, desvalorizados mas de máxima importância... É o futebol actual, no seu mais caracterizador jogador.

Abraço

“this is the real life…”

P.S.: Bem sei que não é permitido “spam” ou publicidade no blog, mas deixo-vos um conselho: se gostam de futebol e querem aprender mais sobre ele vão ao site de Luís Freitas Lobo, um dos melhores especialistas portugueses e europeus, garantindo-vos eu que por lá aprendem realmente muita e boa coisa (http://www.planetadofutebol.com/).

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Sem dúvida uma posição muito importante.

Ele sai com a bola a jogar, é um recuperador de bolas, tem geralmente de ter um bom jogo aéreo, bom remate de longe, enfim... penso que actualmente não existe um trinco perfeito, mas ainda há alguns tempos o Patrick Vieira na sua melhor forma aproximava-se muito disto.
9 de julho de 2009 às 11:19